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[editar] Bibliografia

[editar] Brincadeiras populares

A partir do sexto ano de vida, os brinquedos começam a fazer parte de brincadeiras mais elaboradas e/ou "faz-de-conta". Ao brincar com bonecas, crianças fazem de conta que são pais, e fazem uso de vários artifícios de brinquedo - carrinhos e berços, por exemplo. Bonecos de ação - robôs, super-herós e vilões - ainda interessam crianças até por volta do décimo ano de vida. À medida que a criança cresce, ela pode participar de jogos mais elaborados - como quebra cabeças complicados ou jogos de tabuleiro, por exemplo. Por volta do décimo ano de vida, muitas crianças interessam-se em brinquedos muito elaborados tais como verdadeiros kits de construção. Tais kits ensinam à criança paciência e dedicação. Crianças que interessam-se em ciência podem passar horas brincando com kits especializados ou um microscópio, por exemplo.

Vários pré-adolescentes perdem interesse em todo tipo de brinquedo infantil após o décimo segundo ano de vida; porém, outros continuam a gostar de um brinquedo em particular, como, no caso de muitas adolescentes, bonecas e animais de pelúcia, tanto por gosto quanto por valor sentimental. Outros são influenciados por um dado tipo de brinquedo quando criança a tal ponto que esta pessoa passa a manter um hobby relacionado com tal brinquedo quando adulto, como é o caso de várias pessoas interessadas em aeromodelismo.

[editar] História

Desde tempos antigos, os brinquedos tiveram um importante papel na vida das crianças. Por milhares de anos crianças brincaram com brinquedos dos mais variados tipos. Bolinhas de gude foram usadas por crianças no continente africano há milhares de anos atrás. Na Grécia Antiga e no Império Romano, brinquedos comuns eram barquinhos e espadas de madeira, entre os meninos, e bonecas entre meninas. Durante a Idade Média, fantoches eram brinquedos muito comuns entre as crianças.

Até o final do século XIX, a maioria dos brinquedos era fabricada em casa, ou fabricada artesanalmente. Atualmente, a grande maioria dos brinquedos são fabricados em massa, e comercializados. A partir da segunda metade do século XX, vários países criaram leis que proíbem a venda de brinquedos considerados perigosos - por exemplo, por conterem materiais tóxicos ou partes que se soltam facilmente - ou que não possuem claros avisos - por exemplo, não recomendado para menores de três anos de idade por conter materiais que podem ser engolidos pela criança. Tais leis também dão ao governo o direito de recolher do mercado todos os produtos que não atendem às especificações necessárias.

Os fabricantes de brinquedos fabricam milhares de brinquedos diferentes diaramente. Vários destes brinquedos são similares entre si - ou seja, são da mesma categoria, como uma boneca, por exemplo - mas são fabricados por diferentes empresas, e possuem direitos autoriais e certas diferenças básicas entre si. Por exemplo, no caso das Bonecas, duas marcas de bonecas famosas são a americana Barbie e a brasileira Susi. A criança brinca com brinquedos gradualmente cada vez mais sofisticados, à medida que a criança cresce.

Os brinquedos mais comuns para bêbes entre zero a doze meses são brinquedos musicais simples e móbiles, ou brinquedos de berço, objetos que ficam pendurados sob o berço do bebê. Estes brinquedos estimulam a coordenação motora, a visão e a audição do bebê. Após o primeiro ano de vida, blocos que podem ser encaixados entre si e animais de pelúcia também passam a interessar o bebê. Um espelho resistente ajudam a estas crianças a reconhecerem a si mesmos. Outros brinquedos incluem , pequenos e simples quebra-cabeças e livros ilustrados. Bonecas passam a atrair a atenção das crianças por volta do segundo ano de vida.

Entre os dois aos seis anos de idade, a criança torna-se mais interessada em explorar o mundo à sua volta. Alguns brinquedos como triciclos (ou quadriciclos), vagões, bolas e blocos de montar ajudam a fortalecer os músculos da criança. A criança desta faixa etária é altamente imaginativa, e muito desta imaginação é redirecionada aos brinquedos - bonecos tornam-se amigos ou super-heróis e blocos de montar transformam-se em cidades.

Brinquedo

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Um brinquedo é um objeto ou uma atividade lúdica, voltada única e especialmente para o lazer , e geralmente asociada com crianças, também usada por vezes para descrever objetos com a mesma finalidade, voltada para adultos. Na pedagogia, um brinquedo é qualquer objeto que a criança possa usar no ato de brincar. Alguns brinquedos permitem às crianças se divertirem enquanto ao mesmo tempo as ensinam sobre um dado assunto. Brinquedos muitas vezes ajudam no desenvolvimento da vida social da criança, especialmente aquelas usadas em jogos cooperativos.

Brinquedos são de vital importância para o desenvolvimento e a educação da criança [1], por propiciar o desenvolimento simbólico, estimular sua imaginação, sua capacidade de raciocínio [2] e sua auto-estima. Podem ser utilizados em tratamento psicoterápico na Ludoterapia, com crianças com problemas emocionais causados por fatores variados, ou que apresentam distúrbios de comportamento ou baixo rendimento escolar. Carrinhos em miniatura, bonecas, bolas, ursos de pelúcia, ioiôs e action-figures são exemplos de brinquedos. O ato de brincar em si, geralmente não exige um brinquedo, que seja um objeto tangível, pode acontecer como jogos simbólicos (faz-de-conta).

Índice

[esconder]

Brincadeira de criança
é coisa séria

Veja como aumentar a dose
de divertimento na vida da criança,
de acordo com especialistas.

Brincar é um direito infantil que não anda sendo muito respeitado. Os pais precisam trabalhar muito para equilibrar o orçamento familiar. A violência urbana não colabora. O resultado é bem conhecido e atinge todas as classes sociais.

O problema
Falta de tempo e dinheiro

• As crianças ficam em casa, coladas na TV, no videogame ou no computador

• Os pais compensam a ausência com brinquedos e bens materiais

• Alguns filhos são matriculados em tantos cursos, que não sobra tempo para brincar!

A solução
Criatividade e parcerias

• Aprenda a brincar e a envolver a crian- ça, com atividades simples. Preparar um bolo em família ou contar estórias não toma muito tempo e estimula a imaginação e a interação.
• Se o dinheiro anda curto, há sempre programas culturais e artísticos gratuitos.

Base para uma boa vida adulta
De acordo com a psicanalista Dra. Vera Ferrari do Rego Barros, diretora do Serviço de Psiquiatria e Psicologia do Instituto da Criança, de São Paulo, e membro do departamento de Saúde Mental da Sociedade de Pediatria de São Paulo, brincar é vital para o desenvolvimento infantil porque:

É pura energia: as brincadeiras estimulam o desenvolvimento da parte motora. E mais: criança que pula, corre e se diverte tem menos risco de ficar obesa do que aquela que fica horas na frente da TV.

• Facilita o aprendizado: é brincando que se aprende, sobretudo nas fases iniciais da vida.

• Treina para a vida: com casinhas, bonecas e carrinhos, a criança imita os adultos, repetindo experiências que, mais tarde, lhe serão úteis.

• Ensina a resolver situações: ora, a vovozinha; ora, o lobo mau. Alternar brincadeiras permite projetar afetos e promover saudável troca de papéis.

• Estimula a criatividade: quem gosta de brinquedo sofisticado é adulto. Um simples objeto, na mão criativa da criança, pode ser uma festa.

• Facilita a socialização: a criança tem a chance de se relacio- nar com outras crianças, aprende regras e normas.

Como as crianças brincam
Veja como as brincadeiras se desenvolvem conforme a criança cresce:

• 1 ano: o bebê ainda não joga com o outro. Mas gosta de brincar lado a lado com outro de sua idade.

• 2 anos: a criança responde alegremente à folia, divertindo-se ao atirar uma bolinha de volta, por exemplo.

• 3 a 4 anos: a criança entende regras simples e consegue esperar direitinho a sua vez de participar em uma partida ou jogo.

Acerte no brinquedo
Segundo a professora Mariangela Barbato Carneiro, da disciplina de Políticas de Educação Infantil da PUC-SP, há pais que não se envolvem nos passatempos porque não tiveram a oportunidade de brincar na infância! Neste caso, é aproveitar a segunda chance para aprender. E redobrar o cuidado na escolha do brinquedo para o filho, de acordo com cada fase.

Crianças com até um ano gostam de estímulos sonoros suaves e coloridos (chocalhos ou pianos). Até os dois anos, os jogos de encaixe trabalham a coordenação motora. Com quatro anos, as simulações estão em alta, como as cabaninhas (que podem ser montadas com cavaletes e lençóis). A partir dos sete, o principal cuidado é frear o uso dos jogos eletrônicos. É que criança que fica tempo demais na frente do micro não é estimulada a formar amizades e tem mais chances de ter lesões pelo esforço repetitivo.

Jogo limpo
É por meio das brincadeiras que a criança aprende valores, muitos dos quais carregará pela vida inteira, reforça Dra Vera. Portanto, os pais são muito mais do que parceiros de jogo. Devem respeitar as regras e não deixar a criança ganhar de mentirinha num jogo apropriado para a idade dela. Assim, a criança vê que o mundo tem sua organização, que vale para todos. Ou seja: ali, no tabuleiro, está uma boa forma de começar a ensinar noções de cidadania.

Berçários

lkjhgfCuidado com berçários que só têm berços distribuídos pelos seus espaços. Nesse caso, segundo Tizuko, é um berçário que só tem preocupação assistencial, ou seja, colocar o bebê no berço, tirar para alimentar, trocar a fralda e colocá-lo novamente no berço. Não há nenhum tipo de estímulo. "Hoje um bebê não precisa só ser alimentado e trocado, mas também precisa de atenção, carinho, conversação. Crianças em idade de berçário também aprendem se estimuladas corretamente", ressalta ela.
lkjhgfHá berçários que procuraram se modernizar e trocaram os berços por acolchoados espalhados pelo chão, com almofadas para proteger o bebê e com vários brinquedos. Só assim a criança tem um espaço para explorar, se manifestar, ao invés de ficar presa no berço.
lkjhgfOutra dica é quanto à quantidade de bebês por adulto. Segundo Tizuko, cinco bebês no máximo por adulto. Mais do que isso já passa a ser considerado um depósito de bebês.

lkjhgfAgora, se a escola tem na própria sala de aula um cantinho para a leitura, para o teatro, para brinquedos, vê-se que é uma instituição que valoriza a ação e a própria autonomia da criança para escolher.
lkjhgfTizuko aconselha os pais a visitarem a escola pessoalmente, conversarem com o coordenador, participar ativamente. "Observar o espaço com olhos críticos já é um bom começo, pois é difícil para os pais entenderem as questões pedagógicas", analisa. Outra dica da professora é observar se a escola tem desenhos do Mickey, Pato Donald, florzinhas, ou qualquer outra figura preestabelecida decorando a escola. "Esse é um caso de escola que valoriza a cultura do adulto para enfeitar, reproduzir imagens que não são da realidade das crianças. No entanto, se a sala de aula tem os trabalhos da meninada colados nas paredes, com os materiais dispostos na altura delas, e além de desenhos tem esculturas, colagens, etc. é um bom sinal de que está-se valorizando vários tipos de linguagens", enfatiza Tizuko.
lkjhgf Perceber a qualidade do ensino que é oferecido ao seu filho não é um bicho-de-sete-cabeças. Tizuko acredita que através dessas pequenas dicas os pais já podem exigir um pouco mais de qualidade das escolas. "Querer participar do desenvolvimento da criança é refletir o espaço que ela ocupa para adquirir o conhecimento, e observar constantemente a produção dessa criança", aconselha a professora e faz uma ressalva: "Tem escolas que estão cheias de brinquedos nas salas de aula e, no entanto, são meros enfeites nas prateleiras. É preciso estar atento se esses brinquedos estão disponíveis para serem usados".

Escola é para brincar

Por Izabel Leão

hjjkklA pressa em ensinar uma criança de três anos a ler e escrever pode trazer mais danos do que benefícios. Quem faz esse alerta é a professora Tizuko Morchida Kishimoto, do Departamento de Metodologia do Ensino e Educação Comparada da Faculdade de Educação da USP.
lkjhgfSegundo ela, um dos grandes erros da educação infantil atualmente é a preocupação de pais e escolas em dar mais importância ao ato de aprender a ler e escrever do que brincar. "Crianças em idade pré-escolar devem brincar, porque é através da brincadeira que elas se expressam, se relacionam socialmente, interpretam seu cotidiano, inventam histórias, respeitam e tomam decisões."
lkjhgfO problema é que nem a família nem a escola dão valor para esse aspecto. Elas acreditam que por conta da rapidez das mudanças que vêm ocorrendo no mundo a criança que já tiver esse aprendizado adquirido vai estar na frente das outras. "Ledo engano", enfatiza Tizuko. "A criança que desenvolveu a fantasia, que sabe argumentar, se expressar, essa sim, está na frente. Já a criança que ficou copiando, reproduzindo, pode até, no início, mostrar um ganho, saber algumas letras, no entanto, no futuro, será uma criança sem criticidade, que não sabe argumentar, que não tem flexibilidade, porque só sabe fazer o que se manda. A falta de tempo para aprender a se expressar dá origem a uma criança sem iniciativa, limitada do ponto de vista da ação." Tizuko acredita que o projeto educacional das escolas infantis deveria antes de fazer com que a criança entre em contato direto com letras e números, passar antes pelo movimento, pela expressão de gestos, da dança, música, do falar, do se expressar em diferentes linguagens, reinventar histórias, até chegar às palavras que têm uma coerência de textos, do ponto de vista de frases. "Esse processo não é respeitado nem pelas escolas nem pelos pais", argumenta.
lkjhgfPara pais e mães preocupados com esse tempo da criança Tizuko dá algumas dicas que podem ajudar no ato da escolha da escola. O primeiro passo é observar se a escola compreende mais cadeiras e mesas nas salas de aula do que espaços para as brincadeiras. "Ao se bater o olho numa escola que trabalha com crianças pequenas e que só tem cadeiras e armários para se guardar o material, onde a sala é extremamente arrumada, tudo no lugar, é uma escola que não respeita a expressão da criança. Nesse caso não é a criança que entra em ação, e sim o professor que fica o tempo todo mandando pintar, desenhar, etc."


 

...Se o objetivo é a coleta de mel, acampa-se nas proximidades da árvore a ser derrubada. Duas ou mais horas se passam até que tenham concluído o trabalho, fartado-se de mel e enchido os vasilhames que serão levados à aldeia. Nesse espaço de tempo, as crianças não param de brincar. Um ou outro sai à procura de bambu e volta com uma pequena flauta, que passa de mão em mão. Se o som é apreciado, logo se inicia uma sessão de música. Os homens interrompem o trabalho para também participar. Quando, finalmente, tem início a retirada do mel, todos se aproximam para receber sua parte...
Carmen Junqueira ," Os Cinta Larga",1985

O Brincar Submissão

"Não vale bater na bola com a mão, só com o pé."
"O bispo se movimenta pelo tabuleiro somente na diagonal."
"Aquele que for pego, tem que ficar parado sem se mexer, vira estátua."
"Quem chegar correndo, ao fim da pista e sem derrubar nenhum obstáculo, é o vencedor."


O brincar também se manifesta no jogo que tem como uma de suas principais e interessantes características o fato de que, quem joga, aceita se submeter, voluntariamente, às regras estritamente estabelecidas, seja por satisfação e vontade de participar, seja por obstinação de vencer um desafio ou uma meta.
Ora às bem simples, ora às mais difíceis ou complexas, a submissão às regras torna os participantes iguais, uns perante aos outros, com as mesmas chances de ganhar ou perder. Isto se vê não apenas nos jogos de cooperação onde todos partem em busca de um objetivo comum, mas também nos jogos de competição onde apenas alguns conseguem vencer por mais sorte ou melhor desempenho.
Riso, raiva, expectativa, surpresa, desespero, choro, euforia são sentimentos que acompanham os jogadores e aqueles que, de fora mas de espontânea vontade, estão envolvidos torcendo, sofrendo ou vibrando.
Brincar, neste caso, é, estranhamente, renunciar à escolha e, ao mesmo tempo escolher submeter-se por inteiro, mesmo que, às vezes, isto possa implicar no descontrole absoluto da emoção ou no alcance dos limites da resistência física e do cansaço mental.

O Brincar Liberdade

Se estiver bom a gente quer continuar a brincar, se estiver ruim a gente simplesmente sai da brincadeira, dá um click. Cada um decide quando está brincando e o momento em que quer sair da brincadeira. É assim que acontece com as crianças bem pequenas, com as que desejam imitar os adultos, com as que querem representar as coisas do mundo do qual elas não participam. É assim quando se pula amarelinha ou se controla o mouse num jogo de computador. É assim, até para quem decide entrar num jogo e perder o tempo todo.
O contato direto com o prazer faz com que as pessoas gostem de brincar. Ele nos faz viver plenamente o que somos, nos faz revelar como somos, sem mesmo nos darmos conta disso. E é, por isso mesmo, que há pessoas que não gostam de brincar ou jogar.
Brincar se iguala ao sentimento de liberdade plena de pensar, de agir, de sentir, de criar e de se expressar. Brincar é a liberdade total de criar fantasias, de imaginar situações fictícias, de imitar ou transformar a realidade de forma descompromissada.

"Brincar é para mim estar com os amigos fazendo qualquer coisa que se quer sem que ninguém julgue ninguém pelos atos ou pelos fatos. Gosto de brincar porque eu fico feliz e deixo os outros felizes por estarem comigo."

Pedro, 20 anos.



Por outro lado o mundo dos brinquedos que os adultos preparam e impõem para as crianças, sob sua ótica, nem sempre corresponde ao que elas percebem e vêem no mundo. Os adultos muitas vezes não conseguem entender o que as crianças estão dizendo ao abandonar este ou aquele brinquedo ou ao destruí-lo tirando-lhe uma perna, um olho ou as rodas, tentando trazê-lo mais próximo de si.

Nós, adultos, por necessidades e inseguranças próprias, por medo de futuros fracassos ou insucessos de nossos filhos, temos, contraditoriamente, afastado precocemente as crianças daquilo que elas mais precisam para crescerem saudáveis de corpo e alma. Esquecemo-nos que fomos crianças um dia, e por isso, não conseguimos nem mais brincar, nem reconhecer que as crianças, verdadeiramente, preferem e precisam brincar muito, muito, muito, para assumirem de forma plena a própria vida.

"Brincar era transpirar alegria. Risadas esbaforidas e incontroláveis. Antes era muito mais fácil ser feliz; a felicidade era sinônimo de brincadeira. Mas com o tempo, brincar mudou o seu significado, talvez porque deixamos de brincar com a mesma frequência., ou mesmo porque agora brincar se resume a procurar o que nos falta no dia a dia. Brincamos agora para recordar o que era brincar antes. Tentamos retomar a alegria pura e perfeita que sentimos alguma vez."

Jimena, 17 anos



Brincar sempre para experimentar e um dia ir buscar. Brincar para entrar em contato com a própria vontade para então conseguir decidir. Brincar com liberdade plena para imaginar e criar para um dia vir a construir. Brincar imitando para aprender a aprender. Brincar com a fantasia para perceber que se é capaz de transformar. Brincar podendo arriscar sem medo para vir a sentir confiança. Brincar ganhando, perdendo e cooperando para saber conviver pacificamente. Brincar sentindo alegria, medo, frustração, felicidade, amor e ódio para um dia poder vir a perdoar. Brincar sempre, por toda a vida.

"Recordo ainda ... E nada mais me importa...
Aqueles dias de uma luz tão mansa
Algum brinquedo novo à minha porta....

Mas veio um vento de desesperança
Soprando cinzas pela noite morta!
E eu pendurei na galharia torta
Todos os meus brinquedos de criança...

Estrada afora após segui... Mas aí,
Embora idade e senso eu aparente,
Não vos iluda o velho que aqui vai.

Eu quero os meus brinquedos novamente!
Sou um pobre menino...acreditai...
Que envelheceu, um dia de repente!..."

Mário Quintana.




OBS: Este texto foi escrito a pedido do SESC Interlagos em 2001 e publicado na Internet pela primeira vez em 2004.


 

O Brincar Imitação

Rituais religiosos, cenas da vida social e mesmo da vida econômica, comportamentos e gestos do mundo adulto, do passado ou do presente, há muito vêm sendo reproduzidos e simbolizados nos brinquedos e nas brincadeiras infantis.
As crianças gostam de imitar o que as "pessoas grandes" lhes apresentam e, engana-se aquele que pensar que só imitam aquilo que é aparente. Através da imaginação e da fantasia, brincando, elas sentem prazer de se fazer parecer com os adultos e, aos poucos, hábitos, comportamentos e valores são verdadeiramente incorporados.
Embora, ao que parece, as brincadeiras de faz-de-conta, brinquedos e jogos que representam objetos ou cenas da realidade dos adultos sempre tenham existido, elas predominam atualmente. Esta é a forma que as crianças encontram de participar, à sua maneira, das atividades destinadas exclusivamente aos adultos e às quais elas não têm acesso.
É, então, nas brincadeiras de faz-de-conta que as crianças encontram a possibilidade de representar o mundo de forma mais integrada. Criam uma realidade fictícia, imaginam o que bem entendem, podem se aproximar ou se afastar da imagem que têm dos adultos e, a seu modo, imitá-los. Entre os amigos trocam de papéis: são pai, mãe, marido, mulher, médica, boiadeiro ou herói.
Nos tempos de hoje, a criança se vê forçada a separar o seu "Ser Brincante" entre o brincar que lhe é concretamente pulsante e presente, e a necessidade de se preparar para o trabalho da vida adulta que é futuro.
Em outros tempos ou em sociedades diferentes, o brincar fantasia imitativo das crianças se transforma de maneira mais natural em vida real, isto porque as crianças convivem de forma mais participativa na sociedade que não se estrutura de forma tão fragmentada. Ao menino índio, por exemplo, é dado um arco menor e mais simples para que ele possa, desde cedo, caçar pequenos animais. As crianças aprendem e apreendem tudo o que elas precisam e irão precisar no futuro, na convivência e na proximidade com o adulto, tanto no trabalho como no lazer.

"SIGNIFICADOS DO BRINCAR"

AFLALO, Cecília,


O Falar sobre o brincar parece uma coisa fácil, no entanto, não é bem assim. Muitos autores, filósofos, psicólogos, antropólogos, educadores, artistas há muito tempo e de formas bem diferentes, vêm explicando, com muita sabedoria, o que brincar têm significado ao longo da história do homem.

Além disso, falar sobre este tema é falar sobre algo que todo mundo conhece, e conhece muito bem. Seja criança ou adulto, todos nós já brincamos um dia e com certeza, mesmo que seja lá no fundo da memória, não há quem não tenha alguma lembrança das brincadeiras da sua infância. As pessoas podem não conseguir explicar em palavras, mas sabem muito bem o que é brincar.

"Brincar é divertido, é muito gostoso"
Lia, 11 anos.



Então, porque escrever mais sobre este assunto?
Porque enquanto nascerem crianças no mundo e enquanto estas crianças vierem a se tornar os adultos responsáveis pelos rumos deste mundo haverá sempre o que se dizer sobre o brincar e, mais alguma coisa a acrescentar, no sentido de se tentar fazer com que eles se dêem conta da dimensão, da importância do significado de algo que todos conhecem tão bem mas que, de maneira geral, tem sido colocado junto às coisas supérfluas da vida atual.

O Brincar Sensação

Brinquedos, jogos e brincadeiras - através deles, crianças e adultos têm compartilhado sensações, emoções e sentimentos reais. No brincar, corpo, mente e alma se manifestam espontaneamente e, num misto de fantasia e realidade, cada um se envolve e vivencia cada experiência de maneira única, exclusiva e intransferível.

Brincar é não perceber o tempo passar e, se isso ocorre, é porque ora sentimos que ele passa muito rápido e ora parece que ele não passa nunca!

Brincar é sacudir um chocalho para se distrair com seu barulho, é o impulso de correr à exaustão para conseguir alcançar o amigo no pega-pega, é a sensação de girar num corrupio até cair, é o encantamento e o devaneio de ficar por longo tempo admirando as surpresas dos movimentos de uma geringonça, é, também, o frio que dá na barriga lá em cima de uma montanha russa.

Brincar é sentir o prazer das sensações extremas, é tentar conhecer os próprios limites, é sair por instantes da realidade, é a entrega aos sentidos, é elevar os pensamentos até o nada, é igualar a alma às dos poetas:

Criança desconhecida e suja brincando à minha porta,
Não te pergunto se trazes um recado dos símbolos.
Acho-te graça por nunca ter te visto antes,
E naturalmente se pudesses estar limpa eras outra criança.

Nem aqui vinhas.
Brinca na poeira, brinca!
Aprecio a tua presença só com os olhos.
Vale a pena ver uma cousa sempre pela primeira vez que conhecê-la,
Porque conhecer é como nunca ter visto pela primeira vez,
E nunca ter visto pela primeira vez é só ter ouvido contar.
O modo como esta criança está suja é diferente do modo como as outras estão sujas.

Brinca! Pegando numa pedra que te cabe na mão,
Sabes que te cabe na mão.
Qual a filosofia que chega a uma certeza maior?
Nenhuma, e nenhuma pode vir brincar nunca à minha porta.

Fernando Pessoa

Para Cláudia, o mundo contemporâneo não tem favorecido muito a cultura lúdica, porque o brincar tem adquirido um sentido utilitário, como se brincar livremente fosse perda de tempo. O brincar também tem cada vez mais se capitalizado, com espaços fechados com hora marcada para brincar. Os shoppings e restaurantes criaram os "fast-plays", com fichas e minutos demarcados para a brincadeira. "O espaço é preparado, o tempo, o dinheiro, tudo fast, rápido, mas brincar demanda tempo, encantamento, descobertas".

Ao mesmo tempo, alguns espaços têm avançado para a importância do brincar, como os hospitais. "As pessoas foram descobrindo a importância do brincar, as escolas, as famílias, os hospitais. Porque onde a criança estiver, ela vai brincar. Não é para passar o tempo, ela pode estar falando sobre o adoecimento e o sofrimento dela no brincar. Ela pode estar limitada, não poder correr, mas pode criar histórias, desenhos para elaborar o que está vivendo. O jogo contempla o prazer e o desprazer". ta)

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A cultura lúdica vai muito além dos brinquedos e dos espaços definidos para brincar, as brinquedotecas. "A cultura lúdica faz parte da constituição do sujeito, do que ele pode construir no brincar, da possibilidade de ser espontâneo, flexível, que não haja apenas regras e o intuito de desenvolver a cognição", reflete a psicóloga e psicomotricista Cláudia Jardim, autora do livro Brincar: uma campo de subjetivação na infância (editora Anna Blume).

A cultura humana contempla a cultura lúdica, que se expressa na criação e na livre iniciativa. A psicóloga se preocupa com o fato de que o jogo, o brincar tenham que servir só ao fim pedagógico. E nem sempre uma proposta pedagógica contempla o lúdico porque não é o brinquedo que vai contemplá-lo, mas a possibilidade de vivenciar, saborear, transgredir as regras e construir outras na brincadeira. "Caso contrário, vai ocultar mais do que revelar o que tem de belo na infância. A visão do adulto sobre o brinquedo muitas vezes distorce a percepção do brincar", frisa Cláudia, que é professora da Universidade de Fortaleza (Unifor).

É preciso olhar para o brincar de modo menos fragmentado. Na cultura atual, que prima pelo resultado, até o brincar tem de ter um objetivo de promover resultados como inteligência. "Perde-se a oportunidade de olhar para o processo. Mas se o brincar engloba a criatividade, a espontaneidade, a flexibilidade, serão produzidas mentes mais criativas e não enlatadas", ressalta Cláudia.

Um filme, um teatro, um parque, uma conversa podem ser lúdicos. Um livro também é algo lúdico, aberto à imaginação, podendo ser compartilhado entre pais e filhos. Na idade precoce, a fantasia é o lugar do lúdico, com a criança construindo esse espaço de transição entre o real e o imaginário. "Ela sabe que pode ir e voltar à realidade, se dando conta desses dois mundos, levando para a fantasia o mundo real e lidando com conflitos reais, simbolizando e absorvendo melhor esses conflitos", diz Cláudia.

Se a criança exercita a criatividade e a curiosidade, poderá levar para a vida adulta a vontade de descobrir o mundo, investigar, ser espontâneo nas relações. O lúdico se insere na infância, mas não tem idade para terminar. E o espaço com brinquedos pode favorecer a criatividade desde cedo, desde que haja liberdade para expressar a ludicidade. "A criança pode estar na brinquedoteca e não ter um ato lúdico", diz a psicóloga.

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